JANE MARTINS VILELA
“Deixai
que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o reino dos
céus é para aqueles que se lhes assemelham... E as tendo abraçado, as
abençoou, impondo-lhes as mãos...” – Marcos (cap. 10, versículos 13 a
16.)
A
reencarnação – ou seja, as vidas sucessivas do Espírito para seu
aprimoramento, sua evolução, para alcançar a plenitude espiritual e a
felicidade – é a grande fonte de consolo para os homens, no momento em
que sua compreensão esclarece a Justiça Divina. A doutrina espírita
torna-se a fonte da água viva da consolação, enxugando as lágrimas
humanas com a fé racional e a esperança.
A
nova geração sempre é mencionada, esperanças têm sido depositadas nos
Espíritos que estão reencarnando no planeta, os quais, teoricamente,
deveriam estar em situação mais amorosa e melhor do que aqueles que
partem. Estamos, no entanto, observando extremos: aqueles que já
demonstram muito amor e são carinhosos, sabendo distribuir afeto e tendo
compaixão pelos sofrimentos alheios, e os agressivos, indiferentes à
dor dos passantes, muitas vezes provocadores de dores nos semelhantes.
Espíritos violentos desde o berço, ao nascerem, ou amorosos desde que
nascem! É o momento crucial da separação do joio e do trigo. As máscaras
caem, os sentimentos se revelam, momento em que quem segue
verdadeiramente o bem e o amor deve manter-se fiel na linha reta em
direção à paz da consciência, sem jamais desistir, apesar dos percalços
da jornada árdua da luta humana, apesar das incompreensões de que é
vítima.
A
mídia tem investido muito em notícias de crimes, mostrando crianças
agindo com crueldade, o que leva muitos a duvidarem dessa geração.
Fomenta-se a desesperança, mas é a propaganda do mal. Não nos enganemos,
o bem há de triunfar sobre a Terra. O amor tem crescido muito e está
operante; silenciosamente, mas incessantemente, o amor continua o seu
labor, portas adentro do coração dos homens.
Seria
bom que as pessoas de vez em quando desligassem um pouco a TV, quando
esta estiver divulgando o mal, não fugindo da necessidade da informação,
mas demonstrando que, bem informados sobre tudo, estamos cansados da
divulgação do mal e queremos mais a divulgação do maravilhoso bem que
vive em toda a parte, em gestos de amor que acontecem o tempo todo.
Faz-se necessária a maior propaganda do bem para que ele incendeie os
ainda tíbios e dê-lhes coragem nessa hora difícil que atravessamos.
Relataremos
um fato que vivenciamos que nos deu esperanças nessa nova geração,
esperança que o conhecimento espírita tem mantido acesa mesmo quando
vemos tantas notícias tristes.
Há
uma semana plantamos num gramado em frente do nosso prédio várias
roseiras. Fizemos um círculo com nove roseiras floridas ao redor de um
manacá da serra coberto de flores. Ficaram lindas as roseiras com rosas
de variadas cores, amarelas, rosa, laranja, brancas, vermelhas... No fim
da tarde, quando descemos para verificar se tudo estava bem com as
flores, vimos uma menininha, que nos disse chamar-se Vitória, de cerca
de três anos, delicada, cabelos castanho-claros até a cintura, pedalando
seu velocípede. Quando viu as rosas, saiu correndo do velocípede em
direção a elas. A mãe, de longe gritou: Nas flores, não!
Percebemos
que ela corria com delicadeza e assim chegou, mansamente, nas flores.
Chegamos juntas. Vimos o modo carinhoso com que ela segurou uma rosa,
que cabia inteira em suas mãos. Dissemos a ela: Isso mesmo! Com cuidado,
a planta gostará de seu carinho e ficará mais bonita ainda! Ela, com
muito carinho, disse à rosa: Você é linda demais! E beijou a rosa
suavemente. Não se contentou em beijar apenas aquela rosa. Beijou todas
as rosas de todas as roseiras, acariciando uma a uma. Deve ter beijado
umas cinquenta rosas, sem exagero.
Essa
cena nos encantou. É uma criança da nova geração, demonstrando respeito
e amor pela natureza. A mãe nos disse que ela ama as flores. Se essa
criança for bem-educada, será alguém bondosa, pois já mostra isso. Como
ela, milhares de outras crianças anônimas, por toda a Terra, estão
desabrochando, como flores num imenso jardim.
Há, sim, esperanças na nova geração, que precisa tão-somente de amor e educação para mostrar seu valor.
No
dia seguinte, ao voltarmos do trabalho, à tarde, passamos pelas
roseiras. Alguém gritou: Está bem aguado? Olhamos e não vimos ninguém.
“Aqui em cima!” Era a vizinha do terceiro andar, uma senhora que,
sorrindo, disse: “Aguei todas hoje!” O prédio todo adotou as flores! É a
primeira vez, em muitos anos que plantamos e replantamos, que estamos
vendo as crianças beijando as flores e não as quebrando, que estamos
vendo todos cuidando, e as flores vicejando, todas bem, com uma semana
de vida, nenhuma quebrada, nenhuma arrancada, todas lindas. Elas
perfazem 50 rosas de várias cores.
Há,
sim, pessoas boas, pensamos. Se já fazem assim pelas flores, quanto
mais de amor terão pelos homens, quando for necessário que esse amor se
manifeste? Saberão, com certeza, manifestá-lo. Há esperanças e pessoas
boas em toda a parte. Vamos enxergar o bem que se difunde silencioso,
fora dos olhares da mídia, mas se alastra sempre e vai tomar conta da
Terra inteira, não tenhamos dúvida. O bem triunfará afinal. O esperado
mundo melhor, o planeta de regeneração, numa Terra de mais amor, será
realidade.
Continuemos a semear o amor, sem cansaço, tendo o nosso
mestre Jesus como nosso modelo e guia, incansavelmente a nos amar,
aguardando por nós, desde o início do planeta.
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