O “erro” é dos Homens e não da Umbanda 
Mônica Caraccio
Axé a
todos! Sem nenhuma conotação de superioridade me sinto uma pessoa muito
privilegiada. Vivencio com centenas e centenas de pessoas, espíritos e
situações diariamente, fato que me proporciona um intenso aprendizado,
que exige muita disciplina e muita capacidade de discernir.
Algumas
vezes consigo lidar bem com as situações, outras, ainda me perco dentro
de tantos deveres, obrigações, saberes e conduta.
No
entanto, procuro refletir sobre o porque de não conseguir ‘lidar com tal
situação’ e na maioria das vezes chego a mesma conclusão: o erro está no “olhar”.
No Olhar para com o outro, com o intangível, com o Além e com as possibilidades.
Percebo que muitas vezes o Limite do Olhar nos enraíza em determinadas situações deixando-nos às avessas e cheios de indagações e inquietações.
Outro dia ouvi uma Entidade Espiritual dizer que, metaforicamente, algumas vezes parecemos “cães pulguentos,
sarnentos e perebentos” de tanto que nos maltratamos e nos cutucamos
compulsivamente, de tanto que as pessoas se afastam de nós, de tanto que
contagiamos mal as outras pessoas.
Uma metáfora provocante, não é mesmo?
Pois bem,
também ouço afirmativas do tipo: “a Umbanda não resolveu (ou não
resolve) meu problema”, “o Guia não ajudou em nada”, “o Guia prometeu,
afirmou e não aconteceu, o Guia errou!”, “faço tudo que me pedem e nada
melhora”, “o que os Guias falam nunca acontece” e assim por diante. Mas
será que as pessoas que fazem tais afirmativas não estão sendo como
“cães pulguentos, sarnentos e perebentos”? Será que sabem quem são? Que
enxergam suas próprias condutas? Que entendem o que é a Umbanda? Uma
Entidade Espiritual? E quais suas funções, obrigações e missões? Ou
apenas ficam a espera do outro numa posição em que se misturam
vitimismo, agressividade, falta de reconhecimento e pouco Olhar.
Sim, são
muitas as situações. Mas percebo que as pessoas não compreendem a
complexidade que é o trabalho de uma Entidade Espiritual, a
responsabilidade que os envolvem e as inúmeras consequências que
acarreta um “simples” ato, seja no plano astral ou material. Não
percebem as inesperadas reações que as Entidades sofrem depois de uma
ação adversa da própria pessoa que está sendo auxiliada. Não entendem
que muitas vezes as Entidades têm que mudarem de plano, de estratégia ou
mesmo, têm que recuarem demonstrando um verdadeiro ‘jogo de cintura’
devido às atitudes incoerentes, erradas e inoportunas do próprio
necessitado que julgam o fracasso da Umbanda ou das Entidades.
Pior
ainda é perceber que muitas pessoas acham que a Umbanda ou os Guias
Espirituais têm obrigações perante aquela pessoa ou sofrimento, portanto
devem, a todo custo, resolver o problema e ponto final. Confundem
drasticamente caridade com troca e obrigação; amor com soluções mágicas e
egoísmo; fraternidade com abuso e comodismo; ou ainda a pessoa ou
Entidade Espiritual bondosa com um ser tolo e ignorante que é “levado”
facilmente por qualquer situação, fala, choro ou chantagem emocional.
Enfim, reflexões, olhares, mudanças e muita persistência faz da Umbanda uma religião grandiosa e realizadora.
A fé, a
dedicação, o trabalho e a disciplina fazem do umbandista uma pessoa de
crença e propícia às curas, sejam elas do espirito, da matéria, do
coração ou da vida.
Agora… o
Olhar Além, o Olhar do Bem, o Olhar para si e o Olhar das possibilidades
da vida é que fazem bem, que curam a alma e que nos permitem
entendermos as metáforas, simbologias, necessidades e os merecimentos da
Vida.
Portanto,
a questão primordial aqui é entender que, quando a “Umbanda não
resolve” ou quando o “Guia não ajuda” estamos tendo uma grande
oportunidade para MELHORAR NOSSO OLHAR SOBRE A VIDA.
Axééé…
Imagem: peça do Entalhador Cláudio
arte nascida nas ruas de Olinda
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